O MISTÉRIO DA LUA

Um excerto da Edição Magnética da OMEGA Lifetime


Por Clay Dillow


A génese da nossa Lua desde sempre fascinou a ciência. Será o rebento celestial de uma colisão cataclísmica com outro corpo planetário ou um objeto primordial nascido no início do nosso sistema solar? A rocha lunar magnética pode conter a resposta a esta pergunta.

A Lua desde sempre exerceu uma atração especial nos humanos, um magnetismo que tanto tem de espiritual como de secular, de poético como de prático.

Ancorada no céu noturno, as suas fases assinalam a passagem dos dias, dos meses e das estações. De entre os inúmeros corpos celestes visíveis da Terra, a Lua sempre foi a mais próxima de nós, sendo algo do outro mundo mas, ainda assim, familiar. Durante grande parte dahistória humana, ela podia ser facilmente vista mas não tocada, permanecendo a sua composição e origens um completo mistério. Há meio século, os astronautas da Apollo que voltaram da superfície lunar derrubaram esta mística, trazendo consigo os primeiros artefactos físicos de outro corpoplanetário: rochas, não muito diferentes daquelas que se encontram na Terra. Mas ao colocarem a outrora intocável Lua na palma das mãos dos cientistas, as mesmas amostras de rocha também deram origem a novos mistérios lunares. Antes das alunagens das Apollo, os cientistas planetários sabiam que a Lua não tinha o mesmo tipo de campo magnético global característico de planetas vulcânicos evoluídos como a Terra. Mas as amostras de rocha trazidas pelos astronautas contaram uma história muito diferente – a de uma Lua dinâmica, com um forte campo magnético global que, inexplicavelmente, desaparecera milhares de milhões de anos antes. Mais de quatro décadas volvidas, os investigadores procuram ainda desvendar o mistério do magnetismo perdido da Lua e podem finalmente estar a chegar a algumas respostas.


“Será um planeta com a sua própria história geológica ou apenas uma conglomeração de poeira espacial?”

Dr. Benjamin Weiss, Professor de ciências planetárias

O DÍNAMO LUNAR

“A grande questão que ainda alimenta a ciência lunar hoje em dia é a seguinte: até que ponto é que a Lua é um corpo semelhante a um planeta – um planeta evoluído como a Terra ou Marte – e até que ponto é que será uma espécie de objeto primordial, uma relíquia da formação do sistema solar?”, pergunta o Dr. Benjamin Weiss, professor de ciências planetárias no Massachusetts Institute of Technology (MIT). “Será um planeta com a sua própria história geológica ou apenas uma conglomeração de poeira espacial?”

Para os cientistas planetários, a resposta poderá ajudar a esclarecer a própria origem da Lua. A principalteoria sobre a génese da Lua defende que esta e a Terra são feitas do mesmo tecido celestial,tendo a Lua sido separada da Terra por uma enorme colisão celestial durante os primórdios caóticos da existência do sistema solar. Uma teoria concorrente alega que a Lua se formou noutro ponto do sistemasolar, sendo apenas umaacumulação de matéria semelhante a um asteroide que simplesmente ficou presa na gravidade da Terra. A presença de um campo magnético global na Lua – e o historial quente e fundido associadoa esse magnetismo – daria maior peso à teoria da colisão, reforçando o nosso entendimento da história do nosso próprio planeta e da formação do sistema solar inicial.Mas, de início, as amostrasmagnetizadas trazidas pela Apollo intrigaram os cientistas. A Terragera o seu campo magnético global através do movimento de rocha fundida que circula em torno do núcleo externo do planeta, criando aquilo que é conhecido como umdínamo. Mas o tamanho reduzido da Lua em relação à Terra faz com que qualquer dínamo que existisse no início da história da Lua tivesse rapidamente arrefecido, abrandadoe, por fim, deixado de se movimentar. Os cientistas ficaram ainda mais perplexos com a intensidade relativa do campo. Medições feitas nas rochas trazidas pela Apollo indicam que, em determinada altura, a Lua produziu um campo magnético tão forte como o da Terra. Mas o tamanho diminuto da Lua – e o seu dínamo bastante mais pequeno – em relação à sua vizinha deveria ter dado origem a um campo magnético muito mais fraco. Nas décadas que se seguiram à era da Apollo, os cientistas continuaram a especular sobre o problema. Alguns exploraram teorias sobre a forma como um dínamo lunar se teria alimentado a si próprio durante centenas de milhões de anos para além daquilo considerado possível pelos modelos convencionais. Outros procuraram explicações alternativas para o próprio magnetismo, teorizando que os impactos de asteroides na superfície da Lua poderiam ter criado campos magnéticos temporários suficientemente fortes para magnetizar o material lunar fundido enquanto ele solidificava em rocha. Só nos últimos anos é que os cientistas, dotados de novas ferramentas, técnicas e dados, encontraram formas de fazer progredir a investigação. E, na caça ao magnetismo perdido da Lua, parece que o tempo é tudo.

TEORIA DO IMPACTO

A partir de 2006, Weiss e alguns colegas começaram a reanalisar as rochas da Apollo com instrumentos novos e mais sofisticados, num esforço para melhor compreender a sua história – não apenas quando se formaram, mas quanto tempo foi necessário para arrefecerem e solidificarem.

“O tempo é essencial em tudo isto”, afirma. “Se quisermos conhecer a história do campo magnético, temosde datar a rocha. Trata-se de uma parte realmente importante de toda a nossa abordagem: aliar a magnetização da rocha à cronometria, que nos diz quando a rocha se formou”. Essa cronometriapermitiu que a equipa construísse uma história mais detalhada das amostras lunares e abalasse osalicerces da “teoria do impacto” sobre o magnetismo da Lua. Recorrendo a tecnologias que não estavam ao dispor dos cientistas durante a era da Apollo, a equipaconseguiu identificar rochas que tinham arrefecido ao longo de dias, meses e até milhares de anos – muito mais tempo do que qualquer campo magnético fugaz associado a um impacto pudesse ter durado nasuperfície lunar. Para que estas rochas em arrefecimento lento permanecessem magnetizadas, o campo magnético teria de ter estado presente por um período prolongado – por milhares de anos,nalguns casos – o que sugere que, há milhares de milhões de anos, aLua possuía, de facto, um dínamo semelhante ao da Terra. Mas como é que o dínamo produziu um campomagnético tão forte? “Omotivo pelo qual estudamos isto é porque não entendemos verdadeiramente em pormenor de que forma é que os planetas geram campos magnéticos”, afirma Weiss. “Parece efetivamente que a Lua tinha um, mas ela também é tão pequena que não conseguimos perceber como é que poderia gerar um campo tão forte. Trata-se de um verdadeiro mistério, sendo também um dos motivos que levaram a que as pessoas tivessem dúvidas no início, porque é muito estranho. Continua a ser estranho”. Não obstante, a presença de um dínamo indica que a Lua teve um historial geológico quente e dinâmico, um “teste crítico à teoria do impacto quanto às origens da Lua”, afirma. Este facto é relevante não só para o estudo da Lua, mas também para o nosso entendimento da Terra, pondo em destaque a eventual semelhança entre a Terra e a Lua – e a forma como divergiram ao longo do tempo. “A Terra e a Lua parecem ser iguais, tratando-se de duas peças do mesmo objeto primordial”, afirma Weiss. “É fascinante ver como evoluíram de forma tão diferente, com base no que lhes aconteceu desde então. Reforçando como a Terra é efetivamente muito especial”.

“A Terra e a Lua parecem ser iguais, tratando-se de duas peças do mesmo objeto primordial.”

Dr. Benjamin Weiss, Professor de ciências planetárias

O NOSSO LEGADO NO ESPAÇO

Desde 1962, a OMEGA tem acompanhado – literalmente – os astronautas, à medida que estes exploram o espaço. A sua reputação de primeiro relógio a ter estado na lua valeu ao Speedmaster, em 1969, a sua alcunha de "Moonwatch".

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